Iesus Christus heri et hodie ipse et in saecula (Hb 13,8).

Caro Internauta, é uma alegria tê-lo como visitante do nosso blog. Aqui queremos partilhar pensamentos e reflexões que possam ajudá-lo na sua caminhada de fé e enriquecer a sua vida cristã. Você também pode ser participante ativo deste nosso meio de comunicação, deixando seus comentários e oferecendo suas sugestões.

Dessa forma , podemos estabelecer um diálogo com enriquecimento mútuo. Nosso objetivo, sobretudo, é evangelizar e esperamos que aqui você possa encontrar elementos que contribuam para o seu desenvolvimento como pessoa e como cristão. Deus abençoe você que nos visita. Que Ele oriente e guie os caminhos de sua vida. Em Cristo Jesus, nosso Senhor, Pe. Pedro Junior.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Permanecei em mim


Este foi o apelo que escutamos do Senhor no evangelho de João. Trata-se do desejo de Jesus de que permaneçamos unidos a Ele como ramos a videira. Aqui podemos perceber a marca totalmente personalista da nossa fé. Antes de ser um conjunto de doutrinas, normas éticas e tradições, o cristianismo é relação com alguém: Jesus Cristo.

Esse caráter interpessoal da vivência da nossa fé, faz-nos entender que seguir Jesus Cristo é, antes de tudo, buscar estar com Ele; vê-Lo no sentido joanino de fazer a experiência, perceber com mais profundidade a pessoa do Senhor, tendo um conhecimento d’Ele que nos conduz à intimidade.

Já no início do seu evangelho, João relata a vocação dos primeiros discípulos e faz-nos entender que seguir Jesus é permanecer com Ele. Os discípulos escutam o seu chamado - vinde e vede – vão e permanecem com o Senhor. Permanecem na sua casa. Entrar na casa é adentrar num espaço de intimidade, é conhecer o mundo do outro e oferecer elementos que descortinam a pessoa.

A fé cristã pode ser definida essencialmente com um entrar na casa. O evangelista Marcos conta, no capítulo terceiro, versículo catorze, que Jesus constituiu doze em primeiro lugar para que ficassem com Ele. Vivemos verdadeiramente a nossa fé, quando em primeiro lugar, buscamos estar com o Senhor para sentir a sua presença, conhecer a sua pessoa, amá-Lo de todo coração e unir-se a Ele em profundidade.

Neste sentido, a oração ganha um destaque todo especial na nossa vida de fé. Poderíamos até dizer que uma autêntica vivência do cristianismo não pode existir sem oração. Ela é o espaço do encontro, da união dos corações, do entretenimento entre a amada Igreja que somos nós e o amantíssimo esposo, Jesus Cristo.

O amor leva-nos à percepção do outro, à imersão nele, conduz ao diálogo, que sempre ao final, deixa o silêncio falar e este se transforma em contemplação. Não são mais os lábios que se movem, mais os olhares cintilantes que falam muito mais que as palavras. No amor a Jesus Cristo, somos assim levados à oração, para estar com Ele, ouvir as batidas dos seu coração e deixar sua voz ecoar dentro de nós

É desta forma que a vida de Jesus vai se tornando nossa vida, o nosso querer se torna também o seu querer e vai acontecendo o plasmar-se do ser do Senhor em nós. Aqui acontece a sintonia e nos tornamos mais afinados para fazer ressoar, no mundo, a canção da boa-nova de Jesus aos homens.

Acolhamos o convite de Jesus: Vinde e vede; permanecei em mim. Só desta forma produziremos bons frutos, porque amadurecidos unidos à videira e não fora dela. Unidos ao Senhor seremos revestidos dos seus sentimentos e não só faremos obras e ações quaisquer, mas estas serão qualitativamente impregnadas d’Ele.  O agir seguirá desta forma o ser, que na verdade se torna ser no Senhor e faz, consequentemente, que o agir seja ação do Senhor por meio de nós.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior
pepedrojr@hotmail.com


terça-feira, 17 de abril de 2012

“Põe teu dedo aqui”

O grande pintor barroco italiano, Caravaggio, retratou, com beleza, umas das páginas da Sagrada Escritura narrada pelo evangelista João. Trata-se do episódio do encontro de Jesus com Tomé. Este não havia crido ao escutar os outros apóstolos relatarem a aparição do Senhor Ressuscitado. Ao retornar de novo, Jesus vai-lhe ao encontro e lhe diz: “Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!”.

A obra de Caravaggio, com um realismo especial, faz-nos imaginar toda a cena. Jesus convida Tomé a crer e proclama bem-aventurados aqueles que crêem sem ter visto. Tomé não foi o único a não acreditar. Na verdade, ele representa tantos outros que tiveram dificuldade em crer. Representa também a nós, que por vezes titubeamos na fé.

Fala-se também que o Tomé da obra de Caravaggio é o símbolo da ciência moderna, retrata o espírito da época no qual era digno de fé aquilo que pudesse ser comprovado. Jesus exalta o conhecimento que provém da fé e diz que mais feliz não foi aquele que tocou, que viu, mas aquele que não viu e creu. Este conhecimento vem de Deus, é dom. Toda a sabedoria deste mundo, como afirma o apóstolo, é loucura diante de Deus (cf. 1Cor 3,19).

Queremos continuar experimentando a alegria do viver na fé e nunca deixar que a sabedoria deste mundo torne-se motivo de orgulho para nós. Mais ainda, queremos nos aventurar na alegria de viver uma fé que se traduz em amor. Sem este tudo se torna vão. Mais uma vez, o grande Paulo nos diz: “Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda ciência, ainda que tivesse toda fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse caridade, eu nada seria” (1Cor 13,2).

Busquemos, pois, tocar o Senhor, por o nosso dedo em seu lado, estender a nossa mão, não para acreditar, mas na verdade para experimentar o seu amor sem fim.  Como nos diz o Papa Bento XVI, é a partir do olhar daquele lado trespassado de Cristo, de que fala João, que o cristão encontra o caminho do seu viver e amar.
Queremos pedir ao Senhor Ressuscitado que nos esconda no seu lado aberto, nessa sua chaga de amor para bebermos dessa fonte do amor sem fim, fonte de onde jorraram sangue e água, expressão justamente do amor que se dá e se consome incondicionalmente.

Fazemos parte de uma sociedade, que dentre tantas outras dificuldades, vive, por vezes em meio a opulência, uma carência de amor. Somos carentes e marcados por tantas lacunas. A falta do sabor do amor, por vezes, nos faz amargos em nossas relações. Queremos tocar aquele lado aberto para sermos curados das nossas feridas e preenchidos do amor que redime e resgata.

Queremos tocar o lado aberto, para crer com as mãos, sendo solidário a tantos irmãos, abrindo o coração e as mãos. Queremos tocar essa chaga de amor para sermos portadores da força terapêutica desse amor que cria e recria, faz e refaz. Queremos tocar a fonte do amor sem fim para vivermos a nossa vocação de homens e mulheres que entendem que o seu viver tem como medida esse amor que se derrama por completo do lado aberto de Jesus.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Põe um guarda em teu coração!

Somos seres bons, a nossa essência é a bondade, pois proviemos d’Aquele que é o sumo bem. Quando Deus criou todas as coisas e também o ser humano, Ele viu que tudo o que havia feito era muito bom (cf. Gn 1,31). Portanto, fazer o bem é realizar algo que tem a ver conosco, que corresponde ao nosso ser, que é digno de nós. Dito de forma contrária, o mal nos deforma, faz-nos deixar de ser, não é digno de nós, pois não nos corresponde constitutivamente.
Misteriosamente, contudo, fomos atingidos pelo mal e, como nos afirma o salmista, como pecadores, fomos concebidos (cf. Sl 50,7). A Igreja nos ensina, através da doutrina do pecado original, que a nossa natureza por causa desse pecado está enfraquecida e inclinada ao mal, ao pecado. Não está totalmente corrompida, mas vive esta divisão interior.
A busca do bem requer, por isso, empenho esforço. Nem sempre se trata de algo deleitável, fácil de ser posto em prática. Por vezes, para realizá-lo é preciso travar um combate e este começa dentro de nós.  As forças opostas que devemos enfrentar não são pura e simplesmente realidades exteriores a nós. A luta começa dentro de nós.
Sendo assim, é preciso por um guarda em nosso coração para que não deixemos prevalecer as inclinações para o mal que estão em nosso interior.  Nesse sentido, Jesus pediu-nos muita atenção, quando conversando com os apóstolos, Ele afirmara: ”mas o que sai da boca procede do coração e isto que torna o homem impuro. Com efeito, é do coração, [continua Jesus], que procedem más intenções, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São essas coisas que tornam o homem impuro”(Mt 15,18).
É preciso vigiar o coração a fim de que possamos agir no melhor de nós, fazendo desta forma jus à nossa essência. Vigiar o coração para que o ciúme, a inveja, o ressentimento, a vingança não condicionem os nossos comportamentos e, assim, não pratiquemos o mal para com aqueles com os quais convivemos.
A psicanálise, com o tema do inconsciente, tornou mais necessária e imperativa esta atitude vigilante. Existem coisas dentro de nós que não conhecemos, que não entendemos e que exercem um grande poder sobre nós. Nosso esforço é de conhecer a nossa realidade interior, pois o que conhecemos dominamos, ao passo que o que não conhecemos nos domina.
Nós somos o que lemos, o ambiente em que vivemos, as pessoas que nos relacionamos. Por um guarda em nosso coração significa também estar vigilante sobre aquilo que nos influencia e que vai nos configurando, nos conformando. Faz-se necessário que não nos deixemos invadir pelo mal que existe ao nosso redor, fazendo com que ele encontre espaço em nosso coração. Este não pode ser a casa da maldade. Toda realidade má em nosso coração não é hóspede, mas invasor, intruso. Não deixemos que os invasores habitem o nosso ser, sobretudo aquele núcleo sagrado que se chama consciência. Quando isso permitimos, nós fazemos de Deus um sem teto em nossa vida.
É preciso ser protagonista da própria história. Esta se realiza pelas nossas decisões. Somos o que decidimos ser. Se de fato queremos ser bons, vigiaremos o nosso coração para que ele sempre seja a casa do amor, a morada do eterno, o céu aqui na terra, o lugar onde Deus habita.
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior
pepedrojr@hotmail.com

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Quero ser bom

O tempo da quaresma é, sem dúvida, um período de avaliação da nossa caminhada em que buscamos rever as nossas práticas e melhorar o nosso modo de ser e, consequentemente, os nossos comportamentos. Esta pedagogia da Igreja é muito interessante, pois não somente somos seres que estão em processo, como também atuamos paulatinamente as transformações em nossa vida.
 
Mas além de ser um forte apelo de conversão, a quaresma é uma ocasião na qual reafirmamos o desejo de ser bom. Nós somos o que desejamos, o que queremos.  Não somos seres que têm uma estrutura já pré-estabelecida. Isto não verdade só acontece no âmbito físico. Mas o que nos caracteriza é o imenso universo de possibilidades que podemos realizar.
 
Por isso, podemos, na quaresma, dizer: “Eu quero ser bom!”. Podemos afirmar o desejo de um protagonismo na bondade, procurando fazer jus à bondade na qual fomos criados. Somos frutos de um Deus amor, que como afirma o livro do Gênesis, ao concluir a obra da criação viu que tudo que havia feito era muito bom (cf. Gn 1,31).
 
Queremos, deste modo, agir na bondade, no bem, pois desta forma seremos nós mesmos em plenitude, correspondendo à bondade na qual fomos criados. Neste sentido, quando fazemos o mal, deixamos de ser, além de fazer algo que não corresponda à nossa estrutura fundamental, intrínseca.
 
Nesta quaresma, queremos buscar a fecundidade na bondade.  Ser fecundos no bem, procurando qualificar tudo quanto fazemos a partir desta realidade. Este deve ser o nosso critério de excelência. Hoje, cobra-se muito, no mundo marcado pela competitividade, a qualificação profissional, que significa, sobretudo, o exercício competente das tarefas confiadas. O cristão deve assinalar a sua vida com um plus chamado bondade, conjugando-a com a competência.
 
Vamos então buscar a grandeza de alma e de coração que se exprime no desejo de ser bom, como Deus é bom. Não obstante o mal que campeia no mundo, busquemos ser artífices da bondade, construindo uma história diferente. Proporcionemos, aqueles que vivem ao nosso redor, sentir o sabor da bondade que vence o mal, derruba barreiras e une corações.
 
Busquemos ser águias da bondade, alçar vôos altos no amor, mostrando, assim, que isto é fundamental no mundo da high tech, pois se no  bem este mundo não for conduzido, as pessoas, com a sua ciência e seu saber, podem ser geradoras de grandes males. Além da grandeza da erudição, é preciso a grandeza do coração para que esta dê forma àquela.
 
Busquemos ser bons, voltando, nesta quaresma, nossos olhos e coração para Aquele que viveu entre nós, fazendo o bem: Jesus Cristo. Ele deve ser constituir na nossa medida e Ele nos faz entender, que uma existência vivida no bem é mais significativa e feliz.
 
Pe. Pedro Moraes Brito Júnior
pepedrojr@hotmail.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Palavra: fonte de sentido para o viver

Uma das belas características do ser humano é sua capacidade de dar sentido àquilo que faz. Não somos máquinas, que simplesmente executam funções pela força de um comando e por meio de mecanismos, que conduzem à execução da ação comandada. Nem tão pouco agimos por força dos instintos, mesmo que estes façam parte do nosso ser humano. Estamos acima deles, não obstante imperiosamente eles se façam sentir em nós.

O viver moderno desumaniza-nos, quando nos leva a agir como máquinas e animais. Deixamos de ser em plenitude a partir do momento que permitimos que esse modus vivendi incorpore-se ao nosso existir. A vida estressante leva-nos a executar funções, pois não temos tempo para refletir sobre o que fazemos e deixamos que os meios de comunicação, sobretudo a televisão, ditem o que devemos fazer.

A lógica atual maximiza o prazer, conduzindo-nos no âmbito gastronômico e da sexualidade a excessos e desvirtuações. Somos uma geração que não come para se nutrir e satisfazer as necessidades do organismo, mesmo com o prazer que isto comporte. Vivemos sob a ditadura do paladar e sofremos as conseqüências na saúde de tal viver. 

No âmbito da sexualidade, esta se desconectou do seu lugar natural, o amor, e da sua função de comunhão e procriação, para tornar-se uma necessidade. Vivemos na sociedade do sex appeal onde a questão sexual está à flor da pele e, com qualquer pessoa e em qualquer momento realiza-se o sexo. A música, a bebida, o ambiente, a sensualidade e o flerte incitam a isto e a pessoa “aproveita” o momento. O resultado é também devastador nos relacionamentos afetivos: são ocasionais, interesseiros e descartáveis.

Não podemos “deixar a vida nos levar”. O Senhor quer que sejamos protagonistas da nossa história e para isto nos deu a capacidade de pensar, refletir. Não estamos mais sob o regime da ditadura graças a Deus, mas corremos o risco de nos tornamos subservientes a outras realidades. A mo de exemplo, um dos grandes poderes do mundo de hoje é o “senhor consumo”. Ele nos impele ao gasto excessivo, bem como ao supérfluo. 

Precisamos redescobrir o poder significativo da Palavra. Esta é fonte de sentido para o nosso viver. Ela deve se constituir na medida do nosso comportamento e ser, portanto, um parâmetro para as nossas ações. É preciso descobrir, também na Palavra, o sentido das muitas coisas que fazemos: comer, beber, sexo, casamento, trabalho, natureza.

Viver da Palavra é buscar uma orientação concreta que nos ajude, como diz o apóstolo, a não se conformar com a mentalidade vigente. Nela queremos ter um agir que faz a diferença no mundo de hoje. Esta é na verdade a missão do cristão na sociedade: ser luz. Contudo para iluminar é preciso ser iluminado a fim de que o esplendor da luz se irradie. 

Com a Palavra de Deus, que é viva e eficaz, queremos conduzir a nossa história com uma mente e uma consciência iluminada pelo poder significativo das Sagradas Escrituras. Esta é a voz que precisamos deixar ecoar em nós em meio a tantas vozes que escutamos nos dias atuais.
Somos seres chamados, na nossa estrutura humana, a dar sentido ao que fazemos. Mas aonde o buscamos. Tem a Palavra formado o nosso coração e sido fonte de sentido para o nosso viver?

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior
pepedrojr@hotmail.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O culto espiritual

Para a caminhada deste novo ano, após as férias de verão que já chegam ao fim, gostaria de propor uma mística para viver a lida que estamos por enfrentar com o retorno das atividades.

Na sua carta aos romanos, exatamente no capítulo 12, versículos de 1 a 2, São Paulo fala do culto espiritual, entendendo-o como oferta de si a Deus. Neste sentido, o apóstolo contrapõe à oferta de sacrifícios de animais a Deus, o dom de si mesmo. A isto chama de culto espiritual.

Nos primórdios da Igreja, o martírio foi a grande expressão de perfeição cristã e, por isso, os mártires eram tidos em grande conta nas comunidades cristãs antigas. O livro do Apocalipse fala daqueles que lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro, provenientes da grande tribulação na qual deram suas vidas por Cristo (cf. 7,14).

Com o passar do tempo, as perseguições desapareceram e começou-se a entender uma nova forma de martírio. Alguns o chamam de martírio branco. São os sacrifícios, dificuldades e sofrimentos aceitos e suportados por amor de Cristo.

Não se trata de masoquismo, ou de um comportamento acomodado e alienado, mas de uma aceitação consciente dos contratempos que existem na vida, fazendo deles ocasião de união a Cristo, que também sofreu por nós.

Esse comportamento que a ascese cristã chamou de mortificação, poderia também em alguns casos, ser traduzido hoje por autocontrole, ou por equilíbrio emocional tão exigidos nas instituições e tornando-se critério de avaliação do bom desempenho do funcionário.

O seguidor de Jesus, além das razões laborais, vê nessas ocasiões momentos de purificação e de vivência do mandamento maior da caridade. O controle de uma atitude agressiva não é, pura e simplesmente, busca de evitar um desencontro, mas desejo de não faltar com a caridade com irmão. É expressão da procura de ter um comportamento semelhante ao de Jesus que era manso e humilde de coração.

Contudo, o outro, que por vezes está diante de nós, poderia nos fazer perguntar: vale a pena conter a minha língua e deixar de dar-lhe aquela resposta afiada ou deixar de tratá-lo mau? Não estaria entrando no rol dos bobos? Buscar ser grande de alma e de coração não nos torna tolos, mas felizes. A grandeza ou superioridade mais almejada pelo discípulo de Cristo é a do amor e ninguém perde nada quando ama.

O amor torna-nos capazes até de sofrer por quem amamos. O culto espiritual na vida de irmãos, amigos e esposos pode exprimir-se na capacidade de ofertar-se pela felicidade do outro, mesmo em detrimento do próprio bem-estar. Mas como amar quem não conheço ou quem até mesmo o mal a mim deseja?

O culto espiritual é busca de alvejar a própria veste em Cristo, ou seja, é capacidade de por Ele aceitar o outro, as dificuldades, dores do viver. Aqui está a grande razão que nos move a ser pessoas de “alma grande”.

Na eucaristia, podemos unir o nosso sacrifício, vivido no dia-a-dia, ao sacrifício de Cristo, realizando assim o culto espiritual e fazendo da nossa vida eucaristia.

Pe.Pedro Moraes Brito Júnior
pepedrojr@hotmail.com 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Bote Fé Feira em minha vida" - Testemunho de um padre

Meu corpo ainda sente o cansaço dos dias da passagem da Cruz Peregrina e do Ícone de Nossa Senhora, mas meu coração “exulta no Senhor” e vibra, pois nestes dias eu me senti visitado por Deus. Acho que o Senhor me quis envolvido nesta realidade, pois na verdade não cabia tanto a mim coordenar este evento. 
Atendi a solicitação do bispo. Logo em seguida, recebi um telefonema de Duda, que após ver a recepção dos Símbolos em São Paulo, colocou-se a disposição para a realização do Bote Fé Feira. A partir daqui, começou uma história de amizade que retenho querida pelo Senhor. O professor Duda, que algumas vezes, vi e cumprimentei aqui e ali, passou a ser alguém significativo em minha vida. Quero dizer da minha alegria de estar ao seu lado esses dias e como ele me edificou.  Esses dias, ele recebeu alguns apelidos. Esta é uma das formas de eu exprimir o meu afeto e amizade. Não foi isso que te falei, “Dino”, “Rabugento”?

Tudo que é de Deus tem um pouco de cruz e de dor. Não faltaram lágrimas, nem a mim, nem ao professor Eduardo, bem como dores de cabeça. Contudo, há uma expressão latina que diz: “Pela Cruz à Luz”. Foi isto que vivenciamos. Nosso pranto se tornou em alegria, em festa.

Nossa alegria pôde ser experimentada no contato com a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora. Diante da Cruz, eu senti uma comoção forte por saber que tantas mãos a tocaram, e que aquela Cruz era consolo, força, ânimo na vida de tantas pessoas. Quantas expressões de fé bonitas diante do símbolo do amor da fé cristã! Dentro de mim, eu sentia, sobretudo, o desejo de esvaziar-me, de ser pobre de espiritualmente, livre de qualquer vã ambição.
Diante de Nossa Senhora, eu me senti olhado, com ternura, e senti o afago da mãe que sustenta e dá ânimo ao filho, principalmente nos momentos de dificuldades. Como fiquei afeiçoado àquele Ícone. Pensava em Maria como a discípula exemplar, que permaneceu fiel até o fim. Ela permaneceu de pé, diante da Cruz, com seu Filho Jesus.

Além dessas coisas, foi bonito senti os bons desejos que foram suscitados no coração de tantos jovens e pessoas que se sentiram motivados a fazer algo, procurando vivenciar, com mais compromisso e engajamento, a sua fé como católicos. Foi bonito ouvir de um dos jovens que me acompanhou até Amargosa, quando eu o interpelei sobre o que foi suscitado no coração dele. Ele me disse: “eu senti vontade, padre, de servi mais a minha Igreja”.  Eu posso, pessoalmente, dizer, que nestes dias, fui tocado. Senti mais vontade de ser bom, de amar, de doar-me, de viver o sacerdócio com santidade! Obrigado, Senhor, pela tua visita na minha vida!

Foi forte, também, o momento em que fomos a Amargosa. Éramos eu, Duda e mais três jovens, que espontaneamente se colocaram a disposição querendo ir. Tínhamos pensado somente em ir e entregar os Símbolos e voltar. Mas lá, ficamos entusiasmados! Participamos da carreata, da celebração de acolhida.  Em seguida, vivi uma experiência que marcou a minha vida através do gesto de acolhida do bispo, Dom João Nilton. Ele ficou preocupado conosco e não nos deixou ir embora sem jantar. No restaurante aconteceu uma das minhas ceias de Natal mais lindas e significativas. Estava com professor Duda, que havia deixado seus três filhos e esposa e me fazia companhia, bem como estava com aqueles três dedicadíssimos jovens e mais dois jovens de Amargosa. Ali conversávamos e partilhávamos tudo o que tínhamos experimentado no Bote Fé Feira.

Ao final de tudo só me resta dizer: Obrigado, Senhor. Tu és fiel! Obrigado por Duda e seu dinamismo, às vezes difícil de acompanhar! Obrigado por tanta gente que se uniu a nós, assumindo várias responsabilidades. Um cheiro no coração para todos vocês. Só Te peço, bom Deus, que me ajudes a viver tanta coisa boa que Tu colocaste em meu coração.
Eu estou ainda cansado, mais muito feliz!!!!

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior
pepedrojr@hotmail.com